Atacadistas cada vez mais digitais

17/09/2021

6min

*Por Vanderlei Junior – CEO CotaBest Solutions

O setor de supermercados sempre enfrentou desafios peculiares para concretizar a transformação digital e, no atacado, este cenário era ainda mais pungente. Com a pandemia, porém, muitas necessidades foram escancaradas e os supermercadistas de todos os portes perceberam a necessidade de construir um canal digital, visando o crescimento por meio de estratégias
omnichannel.

Não há mais como fugir: mesmo aqueles que ainda mantém um olhar conservador para suas operações – sejam revendedores ou transformadores – entenderam que a digitalização e a automatização dos processos veio para ficar. É apenas uma questão de tempo: basta analisar que o varejo alimentar cresceu 20% na pandemia, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e pelo Instituto de Administração (FIA).

Esse crescimento se explica porque todo o consumo que antes era efetuado fora de casa agora migrou para dentro; as pessoas precisam abastecer a despensa com o supermercado que, por sua vez, se abastece dos atacadistas. Ou seja, é umagrande oportunidade para que o setor amplie seu alcance, conquiste mais clientes e ocupe novos espaços no mercado.

Há alguns anos, observamos iniciativas importantes de supermercadistas que deram os primeiros passos para evoluir para o mundo online. Muitos adotaram soluções whitelabel para e-commerce ou marketplace para garantir destaque aos produtos, melhorar o serviço e personalizar a estratégia, outros buscaram auxílio da tecnologia para conectar melhor vendedores e estabelecimentos comerciais, escritórios e pessoas físicas. Percebe-se que este movimento se torna cada vez
mais presente na rotina do atacado, que já sente necessidade de experimentar as facilidades do universo digital, já popularizadas em outros segmentos, inclusive no B2C.

Como exemplo, cito as soluções para cotações e comparação de preços junto a fornecedores. Muitos atacadistas de pequeno e médio porte ainda perdem tempo fazendo comparações de preços manuais, desperdiçando recursos humanos que poderiam estar apoiando a empresa em funções mais estratégicas. Uma solução que automatize esse processo pode fazer com que a empresa aumente em cerca de 100% sua produtividade, economizando tempo e minimizando equívocos comuns aos pedidos feitos à mão.

Se pensarmos que a cotação de preço é algo corriqueiro no dia a dia do consumidor, que conta com aplicativos bastante populares para realizar comparações e gastar menos, é de se compreender porque o setor tem consciência de que é possível alcançar novos patamares.

Os benefícios de tecnologias, como a mencionada acima, vão muito além de produtividade e economia de tempo, que por si só já justificam sua adoção. Sobretudo, essas soluções são verdadeiras aliadas da autonomia do negócio porque possibilitam que as compras sejam feitas sem se limitarem a horários e pessoas. Com tecnologia, os atacadistas compram mercadorias
na hora que precisam, em um só lugar, com listas de compras pré-estabelecidas de produtos recorrentes que facilitam bastante o processo. Basta ter Internet.

Outro motivador do atacadista rumo à transformação digital são as formas de pagamento, cada vez mais modernas e disponíveis. As inúmeras opções automatizadas não ocorrem no mundo físico, que só trabalha com cartão de crédito ou boleto, o que vem levando muitos a repensarem suas estratégias. Sem falar no acesso ao crédito no universo online, bem mais rápido, seguro e com aprovação automática.

Para quem vende, os benefícios são ainda mais atraentes: no virtual, a tecnologia permite trabalhar com informações sobre comportamento do usuário, produtos mais procurados, geolocalização e muito mais. Desta forma, fica mais fácil compreender e ajudar o fornecedor a vender mais e melhor, estimulando o aumento do ticket. Há pesquisas indicando que a maioria dos sellers elevou suas vendas em mais de 30% no número de itens, por pedido, quando comparado com as
vendas offline.

Um número bastante expressivo e que mostra o potencial das vendas online no segmento.
O comércio como conhecemos hoje está com os dias contados. Claro que há resistências, mas elas ocorrem muito mais pela cultura do que pela gestão.

Ainda há muito espaço para crescer, visto que estamos falando de um mercado de R$ 220 bilhões ao ano em que apenas 2% está digitalizado. Mas os atacadistas sabem que embora o crescimento seja lento, quanto antes eles se prepararem, melhor será.

*Vanderlei Junior é CEO e fundador da CotaBest

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